O vídeo anexo é do canal Sem o que fazer, de Mario de Carvalho.
Mario de Carvalho é professor de língua inglesa a vários anos, compositor, ótimo tecladista, escritor, e entre suas atividades está a produção de vídeos cômicos e sérios a respeito de inúmeros assuntos. Assistindo seu vídeo a respeito de dislexia me ocorreram algumas questões relacionadas ao respeito pelas diferenças.
As pessoas simplesmente raciocinam de forma diferente e valorizam linhas de raciocínio e inteligências específicas. No entanto compreender a forma como cada um raciocina é um desafio que poucos professores tem coragem de aceitar. Para poder ensinar a alguém qualquer coisa é necessário entender porque ele erra quando erra. Com um pouco de conversa sem julgamentos é fácil perceber se existem reais dificuldades.
Acredito que a dificuldade em entender um disléxico está, na verdade, na dificuldade do ouvinte em perceber a conexão entre as informações. Sempre existe uma conexão, uma lógica particular, e não apenas na dislexia mas também em outras chamadas dificuldades de aprendizado. Para um professor, a complicação entraria na agilidade para estar sempre trazendo o aprendiz de volta ao ponto chave sem bloquear o raciocínio que ele está tentando desenrolar. E isso é uma atividade divertida, apesar de que alguém que tenha dificuldade em manter a concentração e memorizar informações provavelmente não consiga dar conta. O fundamental é que qualquer pessoa que tenha uma dificuldade real vai colaborar (trabalhar junto) ao perceber que o ouvinte, no caso um professor ou pai, está realmente interessado no que está sendo dito.
As pessoas não tem obrigação de se sair bem em todos os tipos de raciocínio ou naquele mais valorizado por determinado grupo. É triste constatar como as pessoas em geral tendem a desvalorizar outras inteligências em favor da inteligência matemática e espacial. Diga-se de passagem que fazer contas rapidamente não significa dominar a linguagem matemática, isso é apenas o B-A-BA dessa complexa linguagem. Raríssimas pessoas se saem bem em todas as inteligências, nós, meros mortais, costumamos desenvolver uma ou duas com naturalidade conforme nossa predisposição. Porém, todos temos capacidade de desenvolver todas as inteligências, mas também podemos escolher quais realmente importam. Então não há nada de estranho que uma pessoa tão inteligente para aprender vários idiomas tenha dificuldade em resolver pequenas somas ou se perca ao virar duas esquinas e crianças com essas dificuldades podem sim vir a ser gênios em habilidades interpessoais, liderança, artes e filosofia se houver ambiente para que essas habilidades aflorem.
Para quem tenha interesse em conhecer ou aprofundar-se na teoria das Múltiplas Inteligências procure por Howard Gardner, o site oficial está apenas em inglês http://howardgardner.com/
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